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Ver Resumo da matéria por IAA 'dança dos técnicos' no Campeonato Brasileiro reflete a instabilidade dos treinadores, especialmente desde a adoção do formato de pontos corridos em 2003.O recorde de demissões ocorreu em 2003, com 40 mudanças, enquanto 2015 registrou 32 trocas no formato atual com 20 clubes.Apenas seis clubes mantêm o mesmo técnico ao final da competição, evidenciando a crise de estabilidade, com Abel Ferreira do Palmeiras como o exemplo mais notável.Resumo supervisionado pelo jornalista!
A “dança dos técnicos” é uma das marcas registradas do futebol brasileiro. No Campeonato Brasileiro por pontos corridos, iniciado em 2003, a pressão por resultado imediato, o calendário pesado e a cultura do improviso transformaram o cargo de treinador em uma função extremamente instável. O Lance! apresenta o recorde de técnicos demitidos no Brasileirão.
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Demissões em série, interinos que se revezam e projetos interrompidos no meio do caminho tornaram-se rotina. Em muitos casos, a tabela de mudanças no comando técnico diz tanto sobre o campeonato quanto a classificação em si.
Ao longo de mais de duas décadas de pontos corridos, alguns anos se destacaram pela verdadeira avalanche de trocas, enquanto poucos exemplos fogem à regra, com trabalhos longos e consistentes.
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Este texto reúne os principais números da era dos pontos corridos: o recorde absoluto de trocas em uma edição, o recorde no formato atual com 20 clubes, os anos mais críticos, os clubes que mais demitem e o contraponto da longevidade, hoje representado por Abel Ferreira, no Palmeiras.
Recorde de técnicos demitidos no Brasileirão
O recorde absoluto: o caos de 2003
A primeira edição do Brasileirão em pontos corridos, em 2003, já mostrou o tamanho da pressão sobre os treinadores. Em um campeonato com 24 clubes e 46 rodadas, nada menos que 40 mudanças de comando técnico foram registradas, um recorde que continua sendo o maior desde a adoção do formato.
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O contexto ajuda a explicar o número absurdo:
- campeonato mais longo, com quase 50 jogos para algumas equipes
- tabela pesada, viagens longas e pouco tempo para treinar
- cultura ainda em adaptação ao novo modelo, com dirigentes tratando qualquer má fase como justificativa para “mexer no comando”
Os anos seguintes mantiveram a mesma lógica de instabilidade, ainda em formatos com mais de 20 times:
- 2004: 38 trocas de treinador
- 2005: 37 trocas
Esses números mostram que, na largada dos pontos corridos, trocar técnico no meio do campeonato deixou de ser exceção e virou parte do “planejamento” de muitos clubes.
O recorde no formato atual (20 clubes): a edição de 2015
Desde 2006, o Brasileirão passou a ser disputado de forma estável com 20 clubes e 38 rodadas. Dentro desse recorte, o ano mais radical em termos de rotatividade foi 2015, com 32 mudanças de comando na Série A.
O dado mais simbólico dessa edição é outro:
- apenas o campeão Corinthians, com Tite, terminou o campeonato com o mesmo técnico que começou.
- Todos os outros 19 clubes trocaram de treinador ao menos uma vez, seja por demissão, pedido de demissão ou saída para outro clube, transformando o ano em um caso extremo de falta de continuidade.
Outras edições no formato de 20 clubes que chamam atenção pela quantidade de trocas:
- 2010: 31 mudanças de comando
- 2018: 29 trocas
- 2020: 28 trocas
Mesmo em anos sem recorde, a média segue alta, mostrando que a instabilidade é um traço crônico da Série A.
O recorde de técnicos demitidos no Brasileirão nos últimos anos
Nos anos mais recentes, a dança dos técnicos continua intensa, mas com números um pouco mais baixos do que os grandes picos do passado:
- 2023: 25 trocas de treinador
- 2024: 21 trocas
- 2025: 22 trocas já até a 36ª rodada, igualando o total de 2024 antes mesmo do fim do campeonato
O levantamento do Globoesporte.com mostra que o Brasileirão 2025 ainda está distante do recorde de 2003, mas segue dentro de um patamar alto de instabilidade. A 22ª troca da edição foi justamente a saída de Ramon Díaz do Internacional.
Ao mesmo tempo, o estudo aponta que apenas seis clubes conseguem, em média, chegar ao fim do campeonato com o mesmo técnico que começou. Em 2025, na altura da 30ª rodada, seis times ainda não haviam trocado de comando, reforçando essa tendência histórica.
Os “trituradores de técnicos”: clubes que mais trocam
Alguns clubes se destacam negativamente pela quantidade de mudanças de treinador ao longo dos anos.
Paraná Clube:
Em levantamento do Globoesporte.com sobre a Série A e o recorte a partir de 2003, o Paraná aparece como recordista de trocas, com 63 contratações de técnicos e 49 comandos diferentes até 2020, mesmo passando boa parte do tempo nas divisões de acesso.
Vasco e Botafogo:
São presenças constantes nas listas de maior rotatividade em temporadas de crise, especialmente nos anos em que brigam contra o rebaixamento. Em 2025, por exemplo, o Vasco já demitiu Fábio Carille logo no início da competição, mantendo a tradição de mudanças rápidas em contextos de pressão.
Sport:
Em 2025, o Sport lidera o “campeonato” das demissões, indo para o quarto técnico diferente na mesma edição, um símbolo do desespero típico de quem ocupa a lanterna e vê a permanência na Série A cada vez mais distante.
A combinação de resultados ruins, ambiente político conturbado e cobrança da torcida transforma esses clubes em verdadeiras máquinas de moer treinador, o que costuma se refletir também em campanhas irregulares e rebaixamentos.
O outro lado da moeda: a raridade da longevidade
Em um cenário de rotatividade crônica, alguns poucos trabalhos fogem à regra e mostram que estabilidade ainda é possível no futebol brasileiro. O grande símbolo dessa resistência na era recente é Abel Ferreira, do Palmeiras.
Desde 2020 no clube, Abel completa quase cinco anos de trabalho ininterrupto em 2025, sendo apontado como o técnico mais longevo da elite do Brasileirão neste século e o treinador de maior longevidade da história do Palmeiras em uma única passagem
Ao lado de Abel, poucos treinadores conseguem atravessar vários campeonatos sem interrupção, e em muitos anos apenas um ou dois clubes terminam o Brasileirão com o mesmo técnico que iniciou a competição – como aconteceu em 2015, quando só o Corinthians de Tite manteve o treinador do começo ao fim.
Enquanto a estatística mostra que cerca de seis clubes, em média, chegam ao fim da Série A com o mesmo técnico que começou a jornada, o padrão dominante ainda é o da “dança das cadeiras”, com demissões em sequência e projetos interrompidos a cada sequência de resultados ruins.
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